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EDUCAÇÃO






Introdução


De entre muitas glórias e magnificências que se podem contar de África, sobressaem certos constrangimentos que vale a pena citar. Um deles é o facto de os africanos ainda não poderem afirmar que a África é um continente para africanos. Os africanos ainda não podem ter o orgulho de afirmarem serem africanos porque isso, em nada constitui verdade, para além de pretender ser uma ladainha no fingimento de ser o que se não é. Quem olhar para a política de cada país africano logo perceberá que, quem manda em África é o Ocidente.


I. Localização


A África apresenta litoral pouco recortado e é banhada, a oeste, pelo oceano Atlântico; a leste, pelo oceano Índico; ao norte, pelo mar Mediterrâneo; e a nordeste, pelo mar Vermelho.


Com uma área territorial de pouco mais de 30 milhões de quilómetros quadrados, o continente africano é o terceiro em extensão. Cortam a África, três dos grandes paralelos terrestres: Equador, Trópico de Câncer e Trópico de Capricórnio, além do Meridiano de Greenwich. Há cinco diferentes fusos horários. O continente tem o formato aproximado de um crânio humano visto de lado com o nariz - a península da Somália - apontado para leste.


Estendendo-se de 37 graus de latitude norte a 34 graus de latitude sul e de 18 graus de longitude oeste a 51 graus de longitude leste, o território africano distribui-se pelos quatro hemisférios do planeta Terra. Por outro lado, está compreendido em apenas duas zonas climáticas: a zona intertropical (equatorial e tropical norte e sul) e temperada do norte e do sul.


II. População


A população da África é de mais de 800 milhões de habitantes, distribuídos em 53 países e representando cerca de um sétimo da população do mundo.


Apesar de ser o terceiro continente em extensão territorial, a África é relativamente pouco povoada. Abriga pouco mais de meio bilhão de habitantes - população menor que a de países como a China e a Índia -, cifra que lhe confere uma densidade demográfica semelhante à brasileira: 20 habitantes por quilómetro quadrado. Esses dados são estimados, pois os obstáculos oferecidos pelo meio natural e o subdesenvolvimento que caracteriza o continente tornam impossível recensear todos os habitantes do território africano, muitos dos quais vivem em tribos inteiramente isoladas do mundo moderno.



PROBLEMAS DA UNIDADE


Dia da Libertação de África. Na reunião de 1963 (25 de Maio), em Adis Abeba, capital da Etiópia, líderes africanos criaram a OUA (Organização da Unidade Africana), hoje, União Africana. Dada a importância, a ONU (Organização das Nações Unidas), instituiu em 1972, o dia 25 de Maio, como o Dia da Libertação de África. A OUA ao mostrar-se incapaz de resolver os conflitos surgidos, em todo o continente (guerras, golpes de estado, enorme dívida externa), em 1979, fez-se a projecção da necessidade de criação de uma Comunidade Económica Africana (CEA), semelhante à existente na Europa naquela altura. Dez anos depois (1990), a ideia deu os primeiros passos. Chefes de estados da OUA, convidados pelo seu homólogo Líbio, Mouamar Khadafi, reuniram-se extraordinariamente na cidade de Sirte para a criação, não da CEA, mas da União Africana (UA). No dia 11 de Julho de 2002, a UA foi institucionalizada, em Durban, África do Sul, tendo como objectivo fazer face aos desafios com que o continente se defronta, perante às mudanças sociais, económicas e políticas, bem como fazer face aos objectivos enunciados na carta da OUA e no projecto de criação da Comunidade Económica Africana. Nesse sentido, os países africanos estão dispostos a abdicar um pouco da sua soberania e partilhá-la, em múltiplos aspectos, para benefício comum. Paz e desenvolvimento harmonioso são os dois vectores essenciais, deste sonho africano. E para que estes objectivos essenciais nunca se percam, os passos a serem dados pela União Africana podem ser lentos, desde que seguros. Isto quer dizer que a pressa de alguns líderes mais fervorosos e dos mais impositivos deve ter em conta a vontade dos povos (povos do dito corno de África, do Norte de África, do Centro de África, do Sul de África e da Senegâmbia), directa ou indirectamente, pois ainda que seja bem-intencionada, a pressa não é boa conselheira porque os consensos e as condições propícias para certos passos levam tempo a serem criados, logo o mais sensato e razoável é ir dando tempo ao tempo, apoiando-se em trabalho produtivo.


O Neocolonialismo


É imposta em África toda a agenda política, sócio cultural e económica. O dinheiro vem dos brancos. Eles decidem as quantidades, decidem as prioridades, decidem os juros, decidem o que deve ser consumido, o que comer e o que vestir, decidem os programas televisivos em África, determinam os horários de festas e decidem os preços do mercado. Decidem a língua da cultura, a língua do mercado, do conhecimento e do entretenimento. Decidem o valor das coisas e determinam a agenda africana. O ocidente determina os problemas actuais de África, resolve os que achar prioritários e incentiva aqueles que achar serem estratégicos para si. Os brancos decidem quem são os africanos e atribui-lhes o status que bem lhe apetece. Os brancos sabem que o são, conhecem o seu lugar na história e sabem perspectivar o seu futuro. Na andança para o futuro, a África funciona como lixeira e como poço mágico. É de África que saem os recursos que construíram e constroem o ocidente. Daqui saiu a mão-de-obra e a matéria-prima. Mas é também em África que o lixo indestrutível do ocidente é deitado. África, um belo paraíso por explorar. Em África não existe uma política própria, quase tudo é decidido pelos brancos. Enquanto isso, onde estão os africanos? Onde estão esses que argumentam ser a União Africana solução para o Continente? Devem estar perdidos. Não participam da Comissão Africana dos Direitos do Homem e dos Povos, não encaminham relatórios, não prestam contas e nem apresentam propostas de boa governação. Se apresentarem, nunca chegam a implementar. África está longe de ser um continente para os africanos. Hoje, ser africano, continua a significar ser vítima do mesmo sistema imperialista que dominou o continente há 500 anos. Ser africano continua a significar ser servo do branco. O que é então tudo que os africanos cantam como ganho ou aspiração? É tudo uma utopia. Continua sendo a mesma utopia de sempre. E vale a pena ter essa utopia. O sonho de ser africano continua como esteve no primeiro dia em que foi sonhado. E um sonho de uma África livre de dominações, uma África onde os africanos têm a sua palavra. Onde os africanos têm a sua opinião, onde os africanos podem decidir. O sonho africano de uma África onde os seus filhos crescem na paz e harmonia. Onde as pessoas são respeitadas por serem humanas, onde não são sexualmente exploradas por causa da fome e da miséria. África continua sonhando com a sua glória. Onde as academias podem ensinar e formar sobre África, onde a literatura pode falar sobre África, onde a média divulga a cultura e o modos vivendo africano. O sonho africano continua o mesmo. O de ver líderes comprometidos, líderes libertos da ganância e ambição, líderes capazes de transmitir a confiança e o espírito de trabalho e produtividade nos africanos. África continua a sonhar com gente que quer viver livre, em paz e na justiça social.






PROBLEMAS POLITICOS


Visitando sistematicamente os meios, os modos e os auditórios que, entre nós, das revistas especializadas aos centros de investigação, continuam a desenvolver interesse pelos estudos africanos, destacam-se cada vez mais as considerações e análises negativas, verdadeiramente pessimistas, impondo mesmo uma espécie de crise da análise social que acompanha o recenseamento e estudo das sociedades africanas, como se pode comprovar, entre tantos outros factores, nos títulos de publicações ou nos registos de teses, perseguindo cada vez mais os temas da crise, da pobreza, da conflitualidade tanto como regressando à etnicidade ou vislumbrando mal a miragem do desenvolvimento. Toma-se por adquirido, quase definitivo, que, de facto, quase de direito, para muitas populações africanas, o paraíso travestiu-se em fomes, pandemias, desemprego, tantas vezes mesmo numa arma constantemente apontada à cabeça. Na verdade muito rapidamente, golpes de estado e movimentos golpistas sucederam-se ao optimismo fundacional das declarações de libertação e independência.



Cronologicamente, o primeiro golpe político importante ocorreu ainda no ex-congo Belga, em 15 de Setembro 1960, apenas três meses depois da independência. Na África Ocidental, por exemplo, o primeiro movimento golpista bem sucedido dilacerou o Togo logo em Janeiro de 1963. Significativamente, entre 1963 e 1966 recenseiam-se em diversos estados africanos catorze golpes de estado importantes, quase sempre tragicamente violentos para o jovem destino dos novos países Independentes. Chegados a 1968, arrolavam-se já 64 diferentes tentativas de transformações violentas dos poderes e dos governos africanos que tinham mal começado a tentar instalar renovadas instituições e administrações com os processos de independência. No entanto, estudando este processo mais atentamente, verifica-se que esta primeira geração de golpistas da década de 1960 poderá parecer hoje quase estranha. Reunia soldados profissionais que, tantas vezes de patentes medíocres, se mobilizavam contra a corrupção, a incompetência, os gastos governamentais excessivos, a acumulação de fortunas pessoais e os erros de administrações e administradores nepónicos. Apesar de começarem a convocar ideias e influências marxistas, continuava a dominar na sua actividade política pública uma generosidade nacional, tantas vezes em tomo da ideia de um «nacionalismo africano». Limparam, por isso, governos e administrações, sobrelevaram a disciplina nos serviços públicos e regressaram na maioria dos casos aos seus quartéis, pese embora muitos destes militares terem sido verdadeiramente idolatrados e heroificados por camadas significativas das populações africanas. Em contraste, aquela que se de definir como a segunda geração de líderes políticos e militares, chegando ao poder durante a década de 1970 com a multiplicação de novos golpes e alterações violentas de governações, mostrou-se mais corrupta, incompetente e declaradamente muito mais bruta do que os governo e as administrações púbicas que queriam substituir. Arruinaram economias atrás de economias, multiplicaram instabilidades e movimentos populacional exorbitaram o peso da economia militar, exageraram o militarismo e a centralidade da disciplina militar como fonte da soberania e ordem social.



Parte significativa da opinião pública e política internacional informada que frequenta jornais, revistas e muitos dos ensaios publicados recentemente sobre a África subsaaríana, pensa com fatalidade que este estado de coisas piorou ainda mais desde então, quase irremediavelmente, nas duas últimas décadas. Com efeito, desde os inícios dos anos 90, muitos políticos e responsáveis locais e estrangeiros, tanto como investigadores e diplomatas, agências internacionais e organizações não-governamentais, começaram praticamente a decretar que o continente africano se encontra mergulhado numa verdadeira constelação de guerras civis intermináveis, caos, instabilidade, c1ises, um incontornável subdesenvolvimento, progressivamente erguido em essencialidade e representação culta e mediática dominante da


África de hoje.



PROBLEMAS SOCIAIS



Somos, assim, continuadamente informados que muitas economias entraram em verdadeiro colapso e os índices de pobreza, em termos absolutos e relativos, cresceram, tantas vezes desmesurada e dramaticamente. A subnutrição cruzou-se com totalitarismos, as perseguições com a corrupção, a arbitrariedade com o desinvestimento. Infra-estruturas básicas arruinaram-se, das redes viárias às telecomunicações, passando pelas escolas ou por esses muitos prédios que, desde o fim do colonialismo, deixaram de mobilizar qualquer nova demão de pintura. Em 1995, por exemplo, quando o vice-reitor de uma das maiores universidades da Nigéria se demitiu com grande impacto na comunicação social, denunciou que as admissões eram vendidas abertamente, os dormitórios femininos tinham sido sistematicamente transformados em bordéis, multiplicavam-se as ameaças de morte sobre professores e funcionários, ao mesmo tempo que faltava frequentemente a água e a electricidade, desagregando-se laboratórios e arruinando-se muitas bibliotecas e espaços de lazer e educação física e desportiva. Nesta ordem de acontecimentos, tanto a informação mediática como a comunicação pessoal, esclarecem frequentemente, entre o exagero e o anedótico, que em muitos lugares de África os telefones não funcionam; a electricidade e a água são esporádicas; desapareceram muitas estradas asfaltadas; os hospitais não têm medicamentos; doenças que se pensava vencidas, como a febre-amarela, a malária e a cólera reapareceram violentamente, enquanto a progressão da sida parece completamente fora de qualquer tipo de controlo social e sanitário. De facto, em muitas cidades africanas, dos veículos em difícil circulação aos próprios edifícios governamentais os sinais de decadência são mais do que evidentes: abundam as janelas sem vidros ao mesmo tempo que muitos funcionários públicos, dos professores aos empregados bancários, não recebem durante meses salários ou, como ocorre actualmente em muitos locais de Angola, recebem o seu salário em géneros da ajuda alimentar internacional. Em 1996, por exemplo, um funcionário superior do Ministério do Trabalho da Nigéria, George Adeleye, morreu de exaustão depois de esperar muitas horas para tentar recolher o seu salário com vários meses de atraso, ascendendo a esse total «fantástico» de 1500 Neira, cerca de vinte dólares. Não se alimentava há vários dias como explicaram os seus colegas. Um exemplo que, infelizmente, se poderia multiplicar por larguíssimos milhares e que percorre grande parte das principais cidades dos estados da


África subsaariana, cada vez mais superpovoadas por multidões de refugiados de guerras e conflitos que multiplicam a indigência e subalternidade sociais.



A Mortalidade Materno-infantil


Ser-nos-ia muito fácil, politicamente fácil e agradável, afirmar que apesar da sua pobreza endémica África caminha para um bom futuro; mas que futuro perspectivamos para o Continente quando anualmente, e segundo a OMS, morrem cerca de 500 mil mulheres devido à deficiente acompanhamento da gravidez, 1,16 milhões de crianças falecem no primeiro mês de vida e 3,3 milhões crianças morrem antes de completar 5 anos; quando a natalidade ultrapassa os 35%, a mortalidade excede os 13% e a maioria das populações não têm água canalizada nem saneamento básico mínimos?



PROBLEMAS ECONOMICO



Os índices de desenvolvimento exibidos em muitos jornais e revistas internacionais de economia mostram-se, de resto, dramáticos, progressivamente inferiores aos dos outros espaços do chamado terceiro mundo. Os relatórios do Banco Mundial desenvolvem nos últimos anos de forma recorrente uma prosa quase brutal nas breves introduções gerais que dedicam à apresentação da situação económica e social africana: «A profunda crise económica da África caracteriza-se por um crescimento negativo da produção agrícola, declínio acentuado da produção industrial, baixos índices de exportação, crescimento da dívida, deterioração dos índices sociais, das instituições e do ambiente». Discutindo mais demoradamente esta declaração, segundo as estatísticas e as fontes oficiais das instituições financeiras internacionais, destaque-se que os rendimentos perca pita na África subsaariana desceram desde 1965 cerca de 14,6% 9. Entre 1961 e 1995 a produção alimentar por pessoa desceu 12%. O Zaire que agora se chama República Democrática do Congo exportava alimentos quando era Congo Belga, actualmente não consegue qualquer auto-suficiência alimentar, dos frumentários às frutas, das proteínas animais às vegetais. O mesmo ocorre na Zâmbia, na Serra Leoa, na Tanzânia ou em Angola. Em 1990, 40% da alimentação da África era importada, apesar da Organização Mundial de Agricultura das Nações Unidas (FAO) continuar a insistir nos seus relatórios que, por si só, a bacia do Congo era suficiente para alimentar toda a África Negra. Contudo, a situação económica primária deteriorou-se tão rapidamente nos últimos anos na Nigéria que grande parte da população apenas se alimenta com regularidade uma vez por dia.



Percorrendo os principais jornais económicos e financeiros dedicados à África recenseiam-se actualmente notícias, relatos e, mais raramente, análises generosa e continuadamente pessimistas. Frequentando, por exemplo, as páginas do African Business para o ano de 1995, imediatamente ressalta a notícia de que, entre 1989 e 1994, metade das empresas industriais britânicas com subsidiárias africanas abandonaram o continente negro em direcção a outros horizontes geográficos na Europa do Leste, na América Latina e na Ásia. De acordo com o balanço feito em 1990 pelo The Economist; também o investimento francês na África subsaariana caiu mais de 20% desde 1983 Situação estranha de desinvestimento, visto que, seguindo as lições do Banco Mundial, em 1995 tinha-se atingido um recorde do investimento estrangeiro no chamado terceiro mundo, quadruplicando em 5 anos, fixando-se em 90 bilhões de dólares. Só que, Singapura sozinha atraiu 5,8 biliões de dólares, enquanto toda a África recebeu cerca de 1% do «bolo» total, à roda de 2 biliões de dólares, menos do que o Chile isoladamente. Ao mesmo tempo, a dívida africana entre 1970 e 1996 multiplicou-se por 24, situando-se nos 400 biliões de dólares, fazendo da África a região mais endividada do mundo. Por isso, apenas os serviços desta dívida gigantesca convocam mais de 40% dos rendimentos da exportação, mas menos de metade das obrigações da dívida têm vindo a ser resgatadas.
O incremento do crescimento económico na África Subsariana está dependente, em grande medida, do aumento dos investimentos em infra-estruturas, da melhoria do clima de investimento, do aproveitamento de qualificações para fins de inovação e de criação de capacidade institucional em todo o continente. O carácter lento e errático do crescimento, sobretudo quando comparado com outras regiões em desenvolvimento, têm sido a principal razão. A pobreza extrema (menos de um dólar por dia em necessidades básicas) aumentou de 36 % da população em 1970 para cerca de 50% da população (300 milhões de pessoas) em 2000. As questões que se levantam normalmente são três questões chave: (i) quais são as oportunidades e opções de crescimento que existem à disposição da gama diversificada de países africanos; (ii) quais são os principais constrangimentos à exploração destas oportunidades e (iii) quais são as escolhas estratégicas a serem feitas pelos governos africanos, bem como pelos parceiros de desenvolvimento, incluindo o Banco Mundial. Numa análise de 45 anos de crescimento de África, verifica-se que é urgente uma gestão prudente dos rendimentos dos recursos, dos choques e a criação de condições para atraírem novos investidores, contemplando medidas que ajudem a elevar a produtividade dos investimentos existentes e dos novos. A característica distinta da experiência de crescimento de longo prazo de África é o seu histórico formato em U, revelando uma profunda e prolongada contracção do crescimento entre 1974-1994, um período condensado entre taxas de crescimento moderadamente altas da década de 60 e dos anos que se seguiram a meados da década de 90. A desaceleração global dos anos 70, que começou com um conjunto de choques no mercado energético e nas matérias-primas tropicais, levou muitos países africanos a uma contracção absoluta, que durou cerca de 20 anos – as décadas perdidas – mas, em 2005, o crescimento africano retomou os níveis dos anos 60 para economias muito maiores e mais diversificadas. A partir de 1995, mais de um terço dos países da África Subsariana regista taxas de crescimento médias superiores a 5%. Dois factores principais são apontados como a causa do lento crescimento de África ao longo das décadas perdidas: uma taxa relativamente baixa de acumulação de capital e uma reduzida taxa de crescimento da produtividade para os investimentos que eram feitos na região, comparativamente à produtividade registada noutras regiões em desenvolvimento. Se bem que os rendimentos per capita em África e na Ásia Oriental fossem praticamente iguais em 1960, no final do século XX, o rendimento per capita da África Subsariana – mesmo depois dos ajustamentos para diferenças do poder de compra – foi menos do que um quarto do que da Ásia Oriental. À excepção do Botswana e das Ilhas Maurícias, o crescimento no resto da África Subsariana tem sido episódico nas quatro décadas após 1960, resultando daí que a região ficou ainda mais atrás do resto do mundo em desenvolvimento e, no que toca a níveis de rendimento, regrediu relativamente aos valores de 1960. Em 2004, o rendimento per capita em nove países africanos estava nos níveis de 1960. No mesmo ano, os rendimentos per capita de 13 países africanos de rendimento médio eram 60% mais altos do que os níveis registados em 1960, correspondendo a um total combinado de 66% de todos os rendimentos auferidos na região. Os rendimentos per capita de Zâmbia e da Costa do Marfim quase que não progrediram relativamente aos seus níveis de 1960. A Somália e a Libéria perderam significativamente níveis dos seus rendimentos relativamente ao início dos anos 1960. A fuga de capital de África tornou a situação ainda mais calamitosa. Estimou-se que, em 1990, os cidadãos africanos detinham cerca de USD 360 000 milhões, ou 40% da sua riqueza, fora de África, comparativamente a apenas 6% na Ásia Oriental e 10% na América Latina. O continente africano é capaz de recuperar o passo do crescimento robusto de 1960 a 1973. Deste modo, é necessário que cada país africano identifique oportunidades, constrangimentos e escolhas estratégicas para a prossecução do crescimento necessário e a redução da pobreza, porque não se quer a precariedade, a insegurança, a instabilidade, o aumento do desemprego, as discriminações, as injustiças e a redução do poder de compra.




Fome


Várias regiões de África são assoladas com frequência por crises de falta de alimentos, principalmente nas zonas rurais. Destacam-se as zonas subáridas do Sahel, desde a Mauritânia até ao Corno de África, e as que se encontram à volta do Deserto do Kalahari. Nestas áreas sucedem-se anos de seca, por vezes alternando com inundações que também destroem culturas, para além de obrigarem as populações a deslocar-se das suas zonas habituais.


Para além do factor climático, que alguns cientistas afirmam estar a agravar-se com o aquecimento global, existem ainda causas culturais, que se podem associar à colonização do continente pelas potências europeias no final do século XIX. Por um lado, a urbanização associada ao abandono das zonas rurais, onde não se promoveu o desenvolvimento económico e social, diminuiu a capacidade de produção agrícola, que era fundamentalmente de subsistência; por outro lado, os governos coloniais introduziram no campo a obrigatoriedade das culturas de produtos para exportação, que contribuíram, não só para a diminuição das áreas e da capacidade de cultivo de produtos alimentares, mas também para o empobrecimento dos solos.



Durante os últimos 30 anos do século XX, a seguir à descolonização da África, poucos governos souberam reverter a economia extractivista, que era sua a principal fonte de rendimento, além de incentivada pelos países ocidentais e pelo bloco socialista durante a guerra fria, que necessitavam desses produtos para o seu desenvolvimento. A fraca capacidade de investimento em infra-estruturas, apenas parcialmente sanada nos primeiros anos do século XXI pela mudança de políticas das instituições financeiras internacionais, eternizou a falta de condições em termos de saúde e educação, mantendo assim as populações sem capacidade para produzir o suficiente para alimentar todo o país.


Por outro lado, com a agricultura extensiva, matas são derrubadas e em seus limites o deserto avança. A necessidade de produzir para exportação impede que se pratique o sistema de descanso da terra, que se esgota rapidamente e nem mesmo o uso de fertilizantes consegue recuperar. A pecuária extensiva e o nomadismo, tradicionalmente praticadas no continente, também causam danos às paisagens africanas, pois os rebanhos acabam com as já reduzidas pastagens, sendo atingidos pela fome, da mesma forma que a população.




A Má Gestão dos Recursos


Que interessa aos estados africanos e alguns dos seus protectores estarem a pedir perdões de dívidas., muitas vezes contraídas em situações de deficiente ou péssima má gestão ou, ainda, para degustação pessoal de alguns dos seus líderes, quando se esquecem que o principal problema não é a dívida mas o chamado “serviço de Dívida”, o chamado “Juro” esse sim rarissimamente, ou quase nunca, perdoado. Além que, muitas vezes, os financiamentos que servem para perdoar a Dívida acabam por, uma vez mais, serem mal geridos e, ou, apresentarem juros que nem sempre são comportáveis para os Estados-devedores nem para a sua economia.


Que nos interessa ser um incrível produtor de petróleo e outros hidrocarbonetos se depois o produto da venda dos mesmos, não regressa a África ou o que chega é muito pouco;


Que vantagens há em ser um excelente produtor de pedras preciosas se o produto das mesmas ainda é para utilizações indevidas e que nada terão a ver com o desenvolvimento do local, da região, do País, de onde saíram;


Que interessa aos produtores de produtos hortícolas, por exemplo terem um excedente de produção se depois não têm meios de distribuir por quem necessita e, subsequentemente, poderem gerar riqueza e, com ela, reproduzirem mais produtos e… mais riqueza, com as naturais vantagens que a mesma traz quer para o produtor quer para a região onde está inserido quer, naturalmente, para o País que, também ele, poderá aproveitar para exportar esse excedente;




DESAFIOS DE AFRICA


Nas últimas décadas, África acumulou um conjunto de condicionalismos estruturais ao desenvolvimento sustentável, expressos no crescimento baseado em produtos de baixo valor acrescentado e fraca produtividade, o que se tem reflectido negativamente na competitividade. O posicionamento, a competitividade e a divergência face à média mundial são pontos para os quais importa ter sensibilidade, não para que nos indiquem causas e soluções directas, mas tão simplesmente para saber onde estamos e para onde queremos ir. O fenómeno da globalização intensifica a concorrência entre as economias, a cada dia que passa colocando desafios a muitas regiões como um todo. A China e a Índia são, de facto exemplos extraordinários das oportunidades proporcionadas pela Globalização. Prevê-se que, embora se mantendo relativamente desfavorecidas em termos de rendimento per capita, já a partir de 2015 venham a ocupar o primeiro e o quarto lugar respectivamente do ranking das economias com maior peso no produto mundial, sendo que a China igualará o peso dos Estados Unidos e superará o da União Europeia. Há cerca de 25 anos atrás, a China e a Índia representavam cada uma apenas 3% do PIB mundial. Os benefícios proporcionados pela ajuda externa e pela Globalização sob a forma de Investimento Directo Estrangeiro, maior integração dos mercados e ganhos de eficiência das empresas, têm permitido a África uma transição para patamares superiores de desenvolvimento e reforço da sua competitividade. Mas, é especialmente exigido uma forte capacidade de ajustamento, a capacidade de superar os desafios associados à crescente concorrência. As economias actuais necessitam, pois, de uma capacidade de mover recursos mais rapidamente (quer trabalhadores quer capital) para utilizações alternativas, de forma a usufruir das novas oportunidades e a minimizar os custos de ajustamento. Além da necessidade de reformas estruturais (como a reforma da Administração Pública no sentido de aumentar a sua eficiência, eficácia e desburocratização, a reforma do Sistema de Justiça para que funcione de forma mais célere ou o assegurar do funcionamento eficaz do Sistema Fiscal), é tão ou mais urgente a adopção de medidas estratégicas complementares no sentido de garantir maior inovação empresarial, mais Investigação e Desenvolvimento, mais empreendedores, melhor clima empresarial e mais (melhor) Educação. Porque temos que reinventar a roda? Se outros já encontraram uma solução melhor para um determinado problema, porque devemos recusar aceitá-la? Se aproveitarmos a oportunidade de comparar a nossa solução com uma solução melhor, podemos até ser capazes de a aperfeiçoar. A mão-de-obra africana, situada além fronteira, tem sido reconhecida e internamente despontam novos valores, com um bom nível de instrução.






BIBLIOGRAFIA
Ki-zerbo, joseph- História da África Negra, IIº Volume, 3ª edição, publicações Europa-america


Kamabaya, Moisés- O Renascimento de Personalidade Africana


Material de Apoio de Historia de África 3



Autor: Mussili

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