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AS REVOLTAS ARMADAS DE 1961
Não sou para Angola como para muitos países de África, o ano de 1960 será o baluarte das grandes revoltas contra os seus colonizadores, pois estes achavam que o momento de opressão e maus tratos estavam a chegar ao seu final, e que os povos africanos necessitavam de serem livres e independentes dentro da sua terra.
«Vós, brancos, vós sois estrangeiros no nosso país,
Vós trouxestes a escravatura e a exploração no nosso país;
Agora, deixai o nosso país.
Eu combaterei, eu combaterei o nosso inimigo,
Eu combaterei o nosso inimigo
Até que o nosso país seja livre.
E vós, traidores que nos vendeis
Ao opressor branco,
Vós deveis saber
Que expulsaremos o opressor branco
Deste país,
Então, haveis de pagar
Os vossos actos de traição
Com a vossa vida.»
(William R. Ochieng e Karim K. Janmohamed, “Some Perspectives on the Mau – Mau Movement”, Kenia Historical Review, vol. 5, nº 2, 1977, pp. 308-309, Citado por (M’Bokolo, 2007:540-541).  

Veremos que o ano de 1960, muitos países africanos alcançaram a sua autonomia absoluta contra os colonizadores tanto nas colónias francesa, belga e inglesa. Enquanto a França, Inglaterra concedia independência as suas colónias Portugal intensificava a colonização em territórios africanos, pois que este não gozava de uma economia saudável, então via as suas colónias como fonte das suas economias.
Em Angola o ano de 1961 muito sangue foi derramado, pois que este é o ano em que muitos consideram como o período dos chamados “ajustes” este ano é apontado como o coração do confronto contra os senhores que colonizavam Angola.
«O ano de 1961 foi de ajustes de contas em Angola, o ponto central da história da luta anticolonial angolana» (Pélissier, 2009: 249).    
Com todos esses movimentos e acontecimentos que a África estava a viver acendia – se para os africanos uma luz no fundo do túnel para o alcance da liberdade que nunca se concretizava mais que estava cada vez mais próxima de se alcançar, enquanto os colonos portugueses em Angola ainda viviam os seus sonhos de tranquilidade. Mais este é o período também que acaba com o sossego da autoridade colonial portuguesa. Para os angolanos é um ano de novos desafios e de muita coragem para poderem tornar realidade o alcance da sua autonomia e automaticamente a expulsão do colonizador.
O bom da verdade é que as autoridades coloniais não foram pegue de surpresa, pois que estes foram em muitos casos ignorando certos acontecimentos de insurreições que foram se dando em muitas regiões do norte de Angola como forma de manifestar o seu descontentamento contra os colonizadores portugueses, pode – se assim dizer que talvez o que lhes pegou desprevenido foi o terror do massacre racial na zona do norte de Angola visto que estes possuíam uma tal força e eram tão rápidos e sem piedade, que levou mesmo as autoridades colónias portuguesas a ver escapar por pouco a “jóia do império” Angola. Toda essa impiedade por parte dos angolanos baseava - se nos constantes e terríveis mal tratos efectuados pelos colonos portugueses contra os angolanos de forma injusta e sem piedade.  
OBS: O trabalho esta incompleto em breve colocaremos todo o trabalho.



TEMA I – A CIÊNCIA HISTÓRICA
1.1  CONCEITO E OBJECTO DE ESTUDO
Como ciência, a História nasce nos primórdios do século XIX, tornando assim uma ciência independente, possuindo métodos de investigação, métodos de análise e síntese, objecto de estudo, etc.
A palavra história tem como origem a cidade da Grécia Antiga, que em grego historiei, significa investigar.  
Entre os vários historiadores da antiga Grécia, vamos destacar Heródoto Halicarnasso (485 a.C. – 396 a. C) conhecido como o Pai da História, e posteriormente Tucídides (460 a.C – 700 a. C).  
Várias são as definições existentes sobre a História como ciência, não existe uma definição exacta.
Conceitos de História:
·         A História: é a narração científica e cronológica dos acontecimentos ou dos factos ocorridos no passado, num determinado espaço geográfico e num dado momento, em que os homens foram actores dominantes para o desenvolvimento ou retrocesso da humanidade.
·         A História: é a ciência que estuda o homem na sua evolução ao longo dos tempos e num espaço.
·         Segundo Marco Túlio Cícero, a «História é o testemunho dos tempos, a luz da verdade, a mestra da vida, a mensagem dos dias que não voltarão».
1.1.1 OBJECTO DE ESTUDO DA HISTÓRIA
Toda e qualquer ciência possuí um objecto de estudo, a História não foge a regra, também possui objecto de estudo:
·         Em primeiro lugar vamos encontrar o Homem como sendo a autor principal dos factos históricos;
·         O Tempo uns dos elementos primordial na ciência histórica;
·         O Espaço o lugar ou o local onde os factos ou os acontecimentos históricos se realizam;
·         A Sociedade, grupo de indivíduos organizados que vivem sobre base de normas, leis, etc., num determinado espaço geográfico. 
Estes vão constituir o objecto de estudo da História, mais não nos esqueçamos que o Homem é o objecto primordial da História.    
1.2  - A FUNÇÃO SOCIAL DA HISTÓRIA
A história cumpre uma função na formação do cidadão. Seu estudo ilumina as estruturas que impulsionaram o desenvolvimento dos povos e informa sobre as ideias que esses povos têm sobre seu desenvolvimento histórico. Permite, portanto, registrar a variedade de artefactos que imaginaram para armazenar, reter e difundir a memória do passado. A função social da História é de informar e formar o Homem para que possa evitar erros do passado viver de forma adequada o presente e projectar uma sociedade sã [1].
1.2.1     AS CORRENTES DA HISTÓRIA
Antes de mencionarmos as correntes da História, vamos em primeiro lugar enumerar as fases da evolução histórica:
1.    Fase Pré- Científicainclui toda a história grega, romana, cristã-medieval e a história do renascimento.
2.    Fase de Transiçãoé um periodo de passagem entre a fase Pré – científica e a fase Científica.
3.    Fase científica – é o periodo da História Moderna em pleno século XX, inclui toda a história da corrente positivista, o Historicismo e da História Nova. 
Não devemos esquecer do Renascimento que foi um movimento pertencente a fase Pré-científica. 
1.2.2     O renascimento
É um grande movimento de renovação das letras, das ciências e das artes a que se deu o nome de renascimento e que tinha como principal inspiração o antigo mundo greco-romano. Este movimento teve início em Itália por diversas razões, entre as quais porque Itália era constituída por vários estados independentes como Florença, Roma, Génova e Veneza que tinham um grande progresso económico por causa das relações com o Oriente e o Norte da Europa e também porque os dirigentes destes estados (papas, príncipes e burgueses) eram mecenas (ou seja, protegiam as pessoas ligadas ás artes e ás letras) e outro motivo é que Itália tinha muitos monumentos e obras literárias das antigas civilizações que serviam de inspiração aos artistas. O movimento renascentista espalhou-se por toda a Europa. Alguns dos renascentistas que mais se destacaram foram Maquiavel e Petrarca (em Itália) Erasmo de Roterdão (na Holanda), Shakespeare (em Inglaterra) e Camões (em Portugal). Durante a Idade Média (séc. V a XV) Deus era o principal objecto de reflexão do homem mas, a partir do século XV (com o renascimento), passou a debruçar-se mais sobre si próprio. O homem renascentista preocupava-se em desenvolver o corpo e o espírito e tinha grande interesse em saber um pouco de tudo (conhecimento enciclopédico). Esta nova corrente de pensamento chamava-se humanismo e um dos humanistas que mais se destacou foi Leonardo da Vinci que foi artista, engenheiro e cientista. Já na Antiguidade clássica, os escritores romanos e gregos refletirão sobre os problemas do homem.
As correntes da História
As principais correntes da História são:
1.    Positivismo:
2.    Marxismo
1.3.        METODOLOGIA DA ANÁLISE HISTÓRICA
Para se falar da Metodologia da Análise Histórica, em primeiro lugar teremos que definir as principais terminologias: Metodologia e Análise.
Metodologia: é o conjunto de métodos que viabilizam um determindo trabalho;
Análise: Separação ou desagregação das diversas partes constituintes de um todo; decomposição. (Vide Dicionários Aurélio).
Metodologia da Análise Histórica: é o conjunto de métodos que analisam as diversas partes do conhecimento histórico. (Vide Culo).  
Pode-se assim afirmar que, não se pode classificar as fontes históricas sem que, exista a Metodologia da Análise Histórica, visto que, entre elas existe uma relação.
Falar da Metodologia da Análise Historia leva-nos a abordar sobre as fontes históricas, já conhecidas por muitos:
Fontes Históricas: são todos os vestígios que testemunham a presença dos antigos homens me variados sítios, épocas. Estas fontes classificam-se:
1.    Fontes materiais – são todos os artefactos e construções da antiguidade deixadas pelos nossos antepassados.
Exemplo: utensilio doméstico, armas, esculturas, barcos moedas, etc.  
2.    Fontes escritas: são todos os documentos escritos deixados pelos nossos ancestrais em diferentes locais e épocas.
Exemplo: cartas, contratos, livros, leis, listas de impostos, etc.  
3.    Fontes orais: são narrativas transmitida oralmente de geração em geração, fazendo parte do modo de vida da comunidade.
Exemplo: as pessoas mais antigas das comunidades e que conhecem a historia da mesma (os Reis, Sobas, anciões, etc.).
Obs.: a tradição oral é mais usual em África e em localidades onde tomaram contacto com a escrita muito mais tarde, por isso é considerada a tradição oral como uma fonte muito importante para o continente africano, visto que ela é transmitida de geração em geração.       
A CRÍTICA HISTÓRICA
É considerado como crítica histórica o método histórico que distingui o documento verdadeiro do documento falso, é o método que verifica o que pode existir de falso num documento verdadeiro ou vice-versa.
A História faz-se com documentos e não só. Para o historiador distinguir o verdadeiro do falso deve seguir três passos importantes:
1.    Procurar e classificar as fontes;
2.    Verificá-las;      
3.    Compreendê-las.
A SÍNTESE HISTÓRICA
Pode-se definir a síntese Histórica como sendo o resumo do conteúdo histórico após o processo de análise. Assim pode-se dizer que, sem a análise não pode haver a síntese.
Os documentos e testemunhas, são os elementos fundamentais para dar corpo ao conhecimento histórico, mais estes devem ser submetidos a uma análise e posteriormente ao resumo ou síntese.  
1.4 – A PERIODIZAÇÃO, SEUS CRÍTERIOS E PROBLEMAS
A História é uma ciência que tem como elementos fundamentais: o tempo e o espaço, para de poder enquadrar os factos históricos.
Periodização: é a maneira de ordenar de forma cronológica os acontecimentos históricos, isto é, desde a antiguidade até a actualidade. (Vide Culo).
A periodização histórica desempenha uma grande importância no estudo dos períodos históricos da humanidade. Também permite compreender a sistematização do estudo do passado da humanidade.
A História Tradicional divide-se nos seguintes períodos cronológicos:
                           PERIODIZAÇÃO HISTÓRICA GERAL
                          Idade contemporânea                 Da Revolução Francesa até aos nossos dias…
                          Idade Moderna                             1789 com a Revolução Francesa
                                   Idade Média                            Terminou com a queda de Constantinopla
                          Idade antiga                             Séc. V terminou em 476 d.C
                                   Pré- História                            Aparecimento da Escrita
Um dos grandes problemas que a periodização histórica apresenta é o eurocentrismo e a regionalização na História Universal.



PERIODIZAÇÃO DA HISTÓRIA DE ANGOLA
A periodização da História de Angola goza de um período conturbado, complexo e de difícil compreensão.
Exemplo: a data de 1482 possui um grande significado histórico para o Congo e não para o resto do território angolano. O mesmo pode se dizer da data de 1575 que tem um grande significado para Luanda igualmente sem muito interesse para o resto do território de Angola.
A História de Angola deve-se em 8 períodos como descreve Bengui Pedro; 2008, História 10ª Classe:
1-    As civilizações pré-Históricas (desde os primeiros habitantes de Angola – os Pigmeus e os Khoisan e termina com a migração Bantu.
2-    Período dos reinos do território que é hoje Angola (antes e depois da chegada dos europeus, terminando convencionalmente em 1482.
3-    O chamado período do mercantilismo colonial (tem início com a chegada de Diogo Cão na foz do rio zaire em 1482 e termina em 1885.
4-    O capitalismo comercial (vai de 1885-1910);
5-    Quinto período (1910-1926);
6-    Angola no período entre 1926-1961 (implementação da 2ª República e termina com o desenvolvimento do nacionalismo africano)   
7-    Início da luta da luta armada até à Independência Nacional (1961-1975);
8-    Periodo pós-Independencia (desde 1975 até aos dias actuais).
Obs.: Estes dois últimos períodos são mais recentes que possuem maior número de bibliografias, por isso são os períodos mais conhecidos da História Angolana. 

 

UNIDADE # II – ANGOLA – TERRITÓRIO E AS POPULAÇÕES MAIS ANTIGAS
2.1 VESTIGIOS ARQUEOLÓGICO DO PALEOLÍTICO, MESOLÍTICO E DO NEOLÍTICO
Todo esse vasto e longo processo histórico começa desde a Pré-história, literalmente quer dizer antes da História que só pode ser feita com fontes escritas, materiais e oral. Com desenvolvimento da Arqueologia e outras ciências que buscam a reconstituição do passado por meio dos fósseis e objectos encontrados em escavações, com isso começou-se a utilizar também as fontes ágrafas (não escrita).
Os arqueólogos ingleses dividem a arqueologia da africa sub-equatorial em três grandes estádios: Paleolítico, Mesolítico e Neolítico.
De uma forma resumida vamos abordar sobre cada um deles:
2.2 PALEOLÍTICO
O primeiro e mais longo periodo do desenvolvimento humano, que se estendeu até perto de 10,000 a. C, chama-se Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada.
Do grego podemos definir o Paleolítico da seguinte forma: Paleos = antigo + Litos = Pedra, por isso chama-se periodo da pedra antiga ou também pedra lascada.
Além da pedra também utilizavam a madeira, vegetais, pele de animais, ossos e o marfim, como matéria-prima para confecionar os instrumentos de trabalho. Vários foram os instrumentos feitos nesta época: seixos, lanças, bifaces, raspadores, machados, pontas de seta, arpões, anzóis e agulhas.
Neste período o Homem vivia totalmente dependente da natureza, vivia da colheita de frutos silvestres, escavavam o solo, para arrancarem raízes, apanhavam insectos e pequenos animais, em outras palavras podemos dizer que viviam da recolecção.
Neste periodo houve uma das maiores descobertas deste período: o fogo assim como o seu domínio o que vai permitir-lhe cozer os seus alimentos, iluminar as cavernas, afugentar os animais ferozes, aquecer-se do frio.      
Estes também praticavam a pesca, primeiramente eram feitas nos lagos, posteriormente nos rios e depois no mar.
Os povos deste período deslocavam-se de um lado ao outro procurando melhores condições de recolha e de pesca, recebendo assim o nome de Nómadas.
FASES DO PALEOLÍTICO
Este período é dividido em três fases: o baixo Paleolítico, paleolítico médio e Paleolítico Superior.
Os instrumentos de trabalho foram evoluindo ao longo dos tempos desenvolvendo as técnicas de trabalho.
Os homens do Paleolítico deixaram alguns vestígios em Angola, concretamente nas seguintes províncias: Kwangar e no deserto do Namibe.
2.3 MESOLÍTICO
Pode se definir o Mesolítico como sendo o período intermediário entre o Paleolítico e o Neolítico ou período de passagem. É o período mais curto, por se tratar de um periodo de passagem.  
Este é um periodo que menos produziu, por isso poucos são os acontecimentos que se registraram nesta época. Cerca de 10 milénio a. C, neste período a História registrou uma vasta e profunda modificação no clima, alteração na fauna e na flora. Algumas espécies de animais acabaram por desaparecer, tal igual as plantas, e algumas outas espécies se desenvolveram neste no ambiente.
As regiões que haviam sido ocupadas por gelos dão origem a novas zonas vegetativas.
Assim como aconteceu com os animais também encontram-se a distribuído a raça humana: os negróides na região florestal e de savana da África Ocidental.
Os Khoisan vão encontrar-se na África Austral e Oriental, onde deixaram paredes pintadas. Os instrumentos de trabalho produzidos pela indústria microlítica eram o arco e a flecha tornando-se como principal instrumento de trabalho.  
Também vamos encontrar os vestígios desse povo em alguns lugares do vasto território de África: Deserto do Namibe e Namíbia.
Neste periodo o Homem ainda vivia totalmente dependentes da natureza ou podemos dizer que ainda eram nómadas.

2.4 O NEOLÍTICO
Podemos definir este período como sendo a fase da Nova Pedra, também conhecido como “Revolução Neolítica”. Neste período vamos assistir uma evolução da humanidade, tanto na sua organização social assim como na evolução dos seus instrumentos de trabalho.
Nesta fase o Homem deixa de ser nómada e passaram a ser sedentário, deixando de depender totalmente da natureza e começando a praticar a criação de animais e a agricultura. Neste período surgem os primeiros aldeamentos e consecutivamente as novas necessidades de produção que originaram a nova organização social.
Neste periodo destaca-se a Agricultura e a Domesticação de Animais, sem nos esquecermos da fundição do ferro.
Graças a agricultura e a criação de animais levou o Homem a deixar o nomadismo e passou ao sedentarismo, tendo um lugar fixo para poder habitar e se desenvolver, o que originou os aldeamentos e a organização social.
A agricultura era realizada nos vales dos rios que recebeu o nome de crescente fértil”. Ex: regiões localizadas no rio Nilo (Egipto), e os rios Tigre e Eufrates (Mesopotâmia).
A descoberta dos metais neste periodo revolucionou os instrumentos de trabalho, a invenção da roda para as carroças vai aumentar assim a produção agrícola e a economia de produção. As aldeias tornam-se maior e com divisão de trabalho.
PROGRESSOS TECNICOS DO NEOLÍTICO
·         O machado;
·         A enxada;
·         A faca;
·         O martelo;
·         O arado;
·         A roda
·         O triturador;
·         A utilização de lã – fibra de linho.
2.2 AS COMUNIDADES HUMANAS DO TERRITORIO: KHOISAN E OUTROS
Muito antes das migrações Bantu no actual território que constitui hoje Angola, já existiam alguns povos que constituíam o fundo primitivo de Angola que eram os Pigmeus e os Khoisan. Nós faremos mais referência aos Khoisan, um grupo que hoje se encontra em extinção.
Os Khoisan – um grupo reduzido, que encontram – se espalhados na parte sul de Angola, respectivamente na província da Huíla e do Cunene. Como já fizemos referência os Khoisan é resto de uma raça de habitou o território que é hoje Angola, muito antes da chegada dos Bantu. Este grupo engloba os Hotentotes e os Kunji (Kamussekele, Mukakhala ou Bosquímanos), este último nome é um pejorativo que eles rejeitavam, pois que tinha como significado " Homem da Selva ou do Bosque". Estes possuíam uma língua totalmente deferente dos povos Bantu, mais língua pertencente aos Khoisan. Quanto aos Khoisan é curioso o caso de que durante todo esse tempo eles nunca chegaram a formar reinos nem estados.
Eram povos que viviam totalmente dependentes da natureza, alimentando – se de frutos silvestres, raízes e eram caçadores. Quanto a sua fisionomia eram de pequena estatura, pele de cor acastanhada ou amarela. Estes foram considerados como excelentes caçados, e trocavam a carne por outros produtos.
Para a caça utilizavam pequenos arcos e flechas envenenadas. Além de Angola vamos encontrar estes povos na vizinha República da Namíbia, África do Sul e Botswana.
2.3 O PROCESSO DE SEDENTARIZAÇÃO. A ECONOMIA AGRÍCOLA
Durante muito tempo o Homem passou por um longo processo em que vivia totalmente dependente da natureza, eram nómada andando de um lado para outro procurando melhores condições naturais.
Com a descoberta da agricultura o trabalho da terra, exigiu que o Homem se fixar-se num determinado lugar que possuíam condições para a pratica da agricultura e da pastorícia, em muitos dos casos estes lugares situavam – se ao longo dos rios, terminando assim com o nomadismo do Paleolítico e começando a sedentarização.
Neste período começam a surgir as comunidades agrícolas e pastores nas zonas férteis das planícies, dando origem as aldeias.
Com o crescimento da produção originou o crescimento da densidade populacional e consequentemente a multiplicação das aldeias.

2.4 AS MIGRAÇÕES[2] BANTU[3]
É muito difícil estabelecer datas exactas das migrações Bantu devido a falta de documentos por um lado, por outro lado pelo processo longo que teve as deslocações pois que nunca tinham um carácter de estadia definitiva.
Um dos factores principais que acelerou as rápidas migrações foi a descoberta e utilização dos metais durante os 500 anos da nossa era. Com a descoberta desses metais esses povos tornam-se superior em relação aos outros povos, pois que estes possuíam armas mais eficazes e instrumentos de trabalho mais avançados em relação a outros povos.
Desenvolveu-se a agricultura, a caça e o crescimento populacional. Mesmo com esse desenvolvimento a produção era pouca para toda a comunidade, razão essa que levou ao surgimento de vários conflito no ceio dos Bantu, este também foi um dos motivos para o desmembramento dos Bantu na procura de novas terras férteis pouco habitadas.
Com o domínio da agricultura e da metalurgia os deferentes povos Bantu que habitavam possivelmente na região do Níger e no Lago Tchad. Estes povos deslocaram – se em duas direcções: Leste e Sul de África, passando grandes lagos a baixo do planalto Luba e a bacia do rio Zaire.
Durante este processo migratório fixavam – se periodicamente em vários sítios onde já eram habitados por povos caçadores e recolectores, povos esses que viram-se obrigados a abandonarem as suas terras porque não se encontravam e altura para enfrentar aos Bantu e estes recuaram até a parte sul de África.
Distribuição territorial dos povos de Angola
Os Bantu, possuem uma dezena de variantes, com centenas de subgrupos, a sua distribuição abrange a totalidade do nosso território.
Basicamente os Bantu em Angola dividem-se em seguintes grupos:
1.    Os Bakongo
Ocupam a maior parte do norte de Angola, limitados pelo mar e pelo rio Kwanza especificamente Cabinda, Zaire e Uíge.
Organização Sócio-económica, política e cultural
Povos agricultores, praticam a escultura concretamente no fabrico de máscaras coloridas, dentre eles existia subgrupos que eram muito bons no fabrico da arte sacra e mestres na manufacturas mabula[4], esses povo é conotado como sendo propensos ao misticismos[5], bons para o lado comercial[6]. São povos que as terras encontram-se protegidas pelo espírito dos seus antepassados, Mfumu a Ntota[7].
2.    Os Kimbundu
Ocupam também uma grande extensão do território nacional, limitados pelo mar e pelo rio Kwanza, localizando-se na parte mais a Leste do Norte de Angola para o Sul médio do Kwanza concretamente nas províncias de Luanda, Bengo, Kwanza Norte, Malange, e partes de Kwanza Sul. 

Organização Sócio-económica, política e cultural
De uma maneira geral são bons agricultores de subsistência, são bons no domínio dos instrumentos musicais como é o caso do Xilofones[8], instrumentos construídos de cabaças. Estes também dominam o artesanato, no ramo da escultura, em algumas regiões existia povos que eram bons arquitectos de obras fúnebres, como campas feitas de pedras.
Na região costeira como é o caso da Ilha de Luanda o povo dedica-se a actividade pesqueira ligado a crenças religiosas a Kyanda.[9] Por tanto também formam bons guerreiros prova disso são os vários Estados que chegaram a constituir.
3.    Os Lunda Tchokwé
 Igualmente vão ocupar um grande e vasto território deste país, estes povos englobam as seguintes províncias Lunda Norte e Sul, Moxico e partes do Kuando-Kubango.
Organização Sócio-económica, política e cultural
  Descendentes de caçadores, são povo com uma inclinação para a escultura, bons empreendedores na construção de habitações. Estes tinham um modo de educar um pouco diferente em relação aos outros povos, os rapazes eram educados na Mukanda e as meninas eram educadas na Cikumbi. Este tipo de educação ajudava na transmissão dos valores culturais de geração a geração, caso característico em África. Povo este que conserva acultura na linhagem matrilinear. Este povo também leva jeito para o lado comercial. Actualmente estão a desenvolver a agricultura e a exploração dos recursos minerais como é o caso do Diamante. Têm como actividade principal a pesca artesanal e a caça.     
4.    Os Ovimbundu
um dos povos com a língua mais faladas em Angola, estes estendem-se pelas seguintes províncias: Huambo, Bié e parte Norte da Huíla.   
Organização Sócio-económica, política e cultural
Estes povos são bons caçadores em savanas, criador de gado, agricultores com a técnica da charrua puxada pelos bois. Com inclinação na construção de fornos para a fundição cobre, principalmente em Benguela.
Artisticamente eram bons, pois que possuíam escolas de escultura animalista e de múltiplas máscaras utilizadas na iniciação masculina – evamba ou circuncisão. Os Ovimbundu foram também bons construtores de fortes embalas ou muralhas defensivas.
5.    Os Nganguela
Estes encontram-se divididos em dois territórios: na fronteira da bacia do Zambeze até ao Kubangu, mais a maior parte encontram-se no Kuando Kubango.
Organização Sócio-económica, política e cultural
Descendentes de caçadores, hoje dedicam-se a agricultura no período chuvoso assim como a pecuária como base económica. Também praticam a extracção do mel, pesca fluvial como sustento a sua economia.
Este povo domina a metalurgia com a fundição do ferro, bons na cerâmica negra. Socialmente também possuem os seus ritos de iniciação para os homens, sem este rito o Homem não possui o estatuto de Homem.  
CONCLUSÃO
Podemos concluir que esta unidade leva-nos a entender o grande significado que tem a ciência Histórica, suas origens, objecto de estudo, as fontes históricas assim como a grande função social que a História exerce na sociedade, bem como nos dá a entender a grande importância que a periodização tem na organização dos acontecimentos de uma forma cronológica.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
FREITAS, Gustavo; História, s/d.
MATERIAL de História da 11ª Classe; Ex. IMNE, 2005
PERDRO, Bengui; História 10ª Classe, 2008
Após O Estudo Destas Unidades Responda As Seguintes Questões
1.    Sobre as fontes históricas responda:
a)    O que entendes por fontes Históricas?
b)    Como é que se classificam as fontes históricas?
c)    Qual é a diferença entre as fontes históricas com a crítica histórica?
2.    Qual é a função social da História?
3.    Como se clássica a periodização de Angola?
4.    Como se classificam o vestígios arqueológicos de Angola?
5.    Defina o Paleolítico e o Neolítico.
6.    Mencione os primeiros povos que habitaram Angola.
7.    O que são migrações e quais são as suas causas
a)    Qual foi o principal motivo da rápida expansão do povo Bantu em África?
8.    Porque se diz que Angola é um mosaico territorial? Mencione os seus grupos étnicos.

[1] Vide John G. A. Pocock
[2] Deslocações feitas por um de uma região para outra, na busca de melhor condições de vida.
[3] Nome atribuído ao conjunto de povos que utilizam o pré-fixo "ntu" que em várias línguas nacionais significa Homem.
[4] Tecidos de ráfia executados no tear vertical   
[5] Associações profético-messiânicas que assumem o papel de seitas religiosas. 
[6] Zolombo e os Solongo
[7] Donos ou senhor da terra, significado na língua Kikongo.
[8] Instrument musical como é o caso Marimba
[9] Sereia